Poliamor Entre os Jovens de Salvador (2013)

O documentário foi produzido em 2013 como parte do Trabalho de Conclusão de Curso para graduação em Jornalismo da estudante Fernanda Fahel, responsável também pela idealização e criação do blog Mundo Poli-Amoroso. Confiram e compartilhem essa ideia com seus amigos!

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3 dicas de livros para quem quer entender melhor o poliamor

Além de filmes, o Mundo Poli-Amoroso traz dicas semanais de livros que tratem direta ou indiretamente sobre o poliamor. Abaixo, 3 obras que vão te ajudar a entender melhor esse novo formato de relação amorosa. Para ficar em dia com as próximas publicações, siga nossa página no Facebook clicando aqui!

A Cama na Varanda – Edição revista ampliada

A cama na varanda - Regina Navarro Lins

Autor: Regina Navarro Lins
Editora: Best Seller Ltda
Ano de lançamento: 2012

Um dos maiores sucessos editoriais dos anos 90. “A Cama na Varanda” é daqueles livros que o tempo decanta. É assim porque sua base é a insatisfação que predomina nos relacionamentos amorosos e sexuais. Em A Cama na Varanda, Regina discorre brevemente sobre a história do amor desde a idade da pedra e trás exemplos reais das problemáticas de seus pacientes (sem expor identidades), associando-os ao atual contexto social.


Ame e Dê Vexame

223695_4Autor: Roberto Freire
Editora: Guanabara
Ano de lançamento: 1990

Ame e dê vexame aborda as dificuldades de uma vida amorosa numa sociedade voltada para o que está em oposição aos sentimentos. São textos que, ao relatar experiências pessoais, encerram lições valiosas para quem precisa assumir a precariedade de uma existência que não descarte o amor. Eles funcionam como um roteiro leve e bem humorado em favor da gratificação permanente, apesar das advertências de uma sociedade baseada na exploração e no consumo. Na série de textos sobre assunto tão candente, o autor explica as vantagens de mergulhar profundamente naquilo que pode causar escândalo em determinado momento, mas que revela-se, com o tempo, como a única grande motivação de se continuar vivo.


Poliamor no século XXI: Amor e intimidade com múltiplos parceiros

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Autor: Deborah Anapol
Editora: Rowman & Littlefield Publisher, Inc.
Ano de Lançamento: 2010

Poliamor significa ter relações emocionais intimas simultâneas e possivelmente sexuais com dois ou mais indivíduos, com conhecimento e consentimento de todos os envolvidos. O crescimento dessa prática nos Estados Unidos indica uma mudança significante na maneira que o casamento e as relações íntimas têm se desenvolvido nas últimas décadas. Esse é o primeiro livro sobre Poliamor escrito para um público universal, ou seja, tanto aqueles interessados em praticar o poliamor, quanto aqueles que não têm a menor intenção de fazê-lo. Leitores que gostariam de entender melhor essa visivelmente crescente forma de se relacionar vão encontrar respostas aqui. Pessoas que não praticam o poliamor vão encontrar uma análise cuidadosa desse estilo de vida e das variadas dificuldades, preocupações e recompensas que nascem com ele. (Tradução da autora)

Regina Navarro fala sobre poliamor, casamento e ciúme em entrevista exclusiva ao Mundo Poli-Amoroso

A psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins cedeu entrevista exclusiva ao nosso blog! A consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da Rede Globo, se disponibilizou a bater um papo com o Mundo Poli-Amoroso em torno de 4 tópicos divididos em uma playlist para que o ouvinte possa ir direto à informação desejada. Os tópicos estão dispostos na seguinte ordem:

1. Poliamor e Monogamia;
2. Homem x Mulher – Casamento, Expectativas e Traição;
3. Ciúme;
4. O Poliamor na Sociedade – Preconceitos e Normatização.

Vale ressaltar que Navarro é autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual. Entre eles, “A Cama na Varanda”, sucesso desde os anos 90, e “O Livro do Amor” I e II, resultado de 5 anos de pesquisa e lançados recentemente.

Confira a entrevista abaixo!

As coisas que chamamos de amor – Friedrich Nietzsche

Vale a pena ler com bastante atenção o aforismo abaixo, retirado da obra “A Gaia Ciência”, de Nietzsche. O filósofo questiona o significado de amor, relacionando-o com o conceito de ego ao ponto de interpreta-los como uma coisa só nomeada de formas diferentes. Ele explica o desejo de posse nos relacionamentos afetivos e deixa claro que considera a monogamia um formato muito egoísta. Ao final do aforismo, Nietz expõe o que é o amor ideal para ele. Confiram!

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Imagem: Dan Hillier

“Cobiça e amor: que sentimentos diversos evocam essas duas palavras em nós! – e poderia, no entanto, ser o mesmo impulso que recebe dois nomes; uma vez difamado do ponto de vista dos que já possuem, nos quais ele alcançou alguma calma e que temem por sua ‘posse’; a outra vez do ponto de vista dos insatisfeitos, sedentos, e por isso glorificado como ‘bom’.

Nosso amor ao próximo – não é ele uma ânsia por nova propriedade? E igualmente o nosso amor ao saber, à verdade, e toda ânsia por novidades?

Pouco a pouco nos enfadamos do que é velho, do que possuímos seguramente, e voltamos a estender os braços; ainda a mais bela paisagem não estará certa do nosso amor, após passarmos três meses nela, e algum litoral longínquo despertará nossa cobiça: em geral, as posses são diminuídas pela posse. Nosso prazer conosco procura se manter transformando algo novo em nós mesmos – precisamente a isto chamamos possuir.

Enfadar-se de uma posse é enfadar-se de si mesmo.

(Pode-se também sofrer da demasia – também o desejo de jogar fora, de distribuir; pode ter o honrado nome de “amor”.)

Quando vemos alguém sofrer, aproveitamos com gosto a oportunidade que nos é oferecida para tomar posse desse alguém; é o que faz o homem benfazejo e compassivo, que também chama de “amor” ao desejo de uma nova posse que nele é avivado, e que nela tem prazer semelhante ao de uma nova conquista iminente.

Mas é o amor sexual que se revela mais claramente como ânsia de propriedade: o amante quer a posse incondicional tanto sobre sua alma como sobre seu corpo, quer ser amado unicamente, habitando e dominando a outra alma como algo supremo e absolutamente desejável.

Se considerarmos que isso não é outra coisa senão excluir todo o mundo de um precioso bem, de uma felicidade e fruição; se considerarmos que o amante visa o empobrecimento e privação de todos os demais competidores e quer tornar-se o dragão de seu tesouro, sendo o mais implacável e egoísta dos ‘conquistadores’ e exploradores; se considerarmos, por fim, que para o amante todo o resto do mundo parece indiferente, pálido, sem valor; e que ele se acha disposto a fazer qualquer sacrifício, a transtornar qualquer ordem, a relegar qualquer interesse: então nos admiraremos de que esta selvagem cobiça e injustiça do amor sexual tenha sido glorificada e divinizada a tal ponto, em todas as épocas, que desse amor foi extraída a noção de amor como o oposto do egoísmo, quando é talvez a mais direta expressão do egoísmo.

Nisso, evidentemente, o uso lingüístico foi determinado pelos que não possuíam e desejavam – os quais sempre foram em maior número, provavelmente. Aqueles que nesse campo tiveram posses e satisfação bastante deixaram escapar, aqui e ali, uma palavra sobre o ‘demônio furioso’, como fez o mais adorável e benquisto dos atenienses, Sófocles: mas Eros sempre riu desses blasfemos – eram, invariavelmente, os seus grandes favoritos.

– Bem que existe no mundo, aqui e ali, uma espécie de continuação do amor, na qual a cobiçosa ânsia que duas pessoas têm uma pela outra deu lugar a um novo desejo e cobiça, a uma elevada sede conjunta de um ideal acima delas: Mas quem conhece tal amor? Quem o experimentou? Seu verdadeiro nome é amizade.”

F. Nietzsche, em A Gaia Ciência.

“No que os poliamoristas em geral acreditam?”

A psicanalista e escritora Regina Navarro lista os valores que inspiram a prática do poliamor. O material foi tirado do livro A Cama na Varanda – edição ampliada.

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  • Os poliamoristas dizem que sua filosofia nada mais é do que aceitação direta e a celebração da realidade da natureza humana.
  • Os poliamoristas dizem que o sexo não é o inimigo, que o real inimigo é a quebra e a traição de confiança resultante da tentativa de reprimir nosso ser natural em um sistema social rígido e antinatural.
  • Os poliamoristas dizem que o sexo é uma força positiva se aplicada com honestidade, responsabilidade e verdade.
  • Os poliamoristas não têm de atender a todas as necessidades de cada parceiro; eles devem ajudar. Se sua esposa ama ópera e você não gosta, talvez algum de seus amantes apreciará levá-la à ópera. Se ele for também um mago da informática e ajudar a consertar seu computador quando ele não funciona direito, você é uma pessoa de sorte.
  • Os poliamoristas dizem que o amor é um recurso infinito, e não finito. Ninguém duvida de que você possa amar mais de um filho. Isso também se aplica aos amigos – quando você encontra um novo amigo, não precisa se preocupar com quem terá de descartar para colocá-lo no lugar.
  • Os poliamoristas dizem que o ciúme não é inato, inevitável e impossível de superar. Mas eles lidam com o ciúme usualmente de forma bem-sucedida. Há um novo termo para o oposto do ciúme: “compersion” (sem tradução para o português ainda, talvez possa ser traduzido como algo perto de “comprazer”). “Compersion” é o sentimento de contentamento que advém do conhecimento de que uma pessoa que você ama é amada por mais alguém.
  • Os poliamoristas dizem que o amor deve ser incondicional, no lugar da proposição monogâmica de que “Eu irei amar você sob a condição de que você não amará mais ninguém”, “Desista de todos os outros”, como usualmente é colocado. E, conforme demonstrado pela história, o casamento monogâmico não dá nenhuma garantia de que uma pessoa não amará mais ninguém ao longo da vida.
  • Os poliamoristas acreditam em um investimento emocional de longo prazo em relacionamentos; assim como esse objetivo nem sempre é alcançado no poliamor, ele também nem sempre é alcançado na monogamia.
  • Os poliamoristas acreditam que eles representam os verdadeiros “valores familiares”. Eles têm a coragem de viver um estilo de vida alternativo que, embora condenado pela sociedade, é satisfatório e recompensador para eles. Crianças que têm muitos pais e mães têm mais chances de serem bem cuidadas e menos riscos de se sentirem abandonadas se alguém deixa a família.

A Maçã – Raul Seixas

Se esse amor
Ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor
Vai se gastar…

Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais…

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa num altar…

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais…

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar…

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais…

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar…

Poligamia – Kid Abelha

Meus amores me querem inteira
Em qualquer posição
Meus amores não marcam bobeira
E eu não fico na mão…

Escritório, supermercado
Banco de condução
Todo canto é apropriado
Eu nunca digo não…

Abaixo o enguiço dos neurônios
Abaixo o desperdício de hormônios
Prazeres já temos de menos
Produtos já temos demais…

Vamos ficar, vamos fazer
Vocês e eu, eus e você
Vamos gozar, vamos viver
Vocês e eu, eus e você…

O amor o sorriso e as flores
Paraíso de Dante
Meus amores não são
Implicantes
Com meus outros amantes…

Corcovado ou escada rolante
Tudo isso convém
Todo homem merece um harém
Toda mulher também…

Abastece de óleo os neurônios
Esquece o monopólio de hormônios
Prazeres já temos de menos
Ciúmes já temos demais…

Vamos ficar, vamos fazer
Vocês e eu, eus e você
Vamos gozar, vamos viver
Vocês e eu, eus e você…(4x)

Poliamor X Relacionamento Aberto X Amor Livre X Swing X Poligamia X “Ficar”

"Consideramos justa toda forma de amor" - Lulu Santos

“Consideramos justa toda forma de amor” – Lulu Santos

Frequentemente confunde-se poliamor com amor livre, relacionamento aberto, swing, poligamia e “ficada”. Cinco práticas diferentes, porém vistas por muitos como parte do mesmo conceito. Segue a descrição de cada um desses termos e as suas principais diferenças em relação ao poliamor.

É importante ressaltar que as definições abaixo servem apenas como pequena parte da base inicial para o entendimento das relações afetivas, que, é claro, nem sempre se encaixam perfeitamente em apenas uma categoria.

Amor Livre

Surgiu como uma forma de embate à legislação das uniões amorosas. Seus seguidores acreditam que a igreja e o Estado não têm o direito de definir o que deve ou não ser considerado um relacionamento amoroso. Eles são contra o casamento, pois o vêem como forma de controle e submissão. O Amor Livre defende e pratica todo tipo de relação amorosa – inclusive a monogâmica – não atrelada a quaisquer registros formais. Ou seja, pessoas que se relacionam sem intitular-se “namorados” ou “casados”.

Dentre todos os estilos, o relacionamento livre é o que mais se aproxima do relacionamento poli, já que ambos dão grande flexibilidade afetiva e sexual à formatação das relações. No entanto, o poliamor não se preocupa tanto com o distanciamento de rótulos, que é uma característica fundamental do amor livre. Portanto, são movimentos distintos.

Relacionamento Aberto

Acreditam que desejos sexuais por outras pessoas procedem mesmo durante um relacionamento fixo e que reprimi-los pode gerar estresse entre o casal. Defendem a monogamia afetiva em parceria com a liberdade sexual. Portanto, relações extraconjugais não são consideradas como infidelidade, contato que não haja envolvimento amoroso; este deve existir apenas entre o casal. “Liberamos o desejo, não o sentimento”, diz um adepto. É importante ressaltar que o relacionamento aberto costuma funcionar melhor quando há regras bem definidas e consentidas por ambos para evitar desentendimentos.

Em contrapartida, poliamoristas são a favor da liberdade amorosa, além da sexual. Cada parceiro poliamoroso pode nutrir quantos namoros e/ou casamentos ele quiser – independentes ou conjuntos.

Swing

Refere-se à troca sexual de parceiros entre dois casais. Seus praticantes geralmente buscam se livrar da monotonia que tanto atormenta a maioria dos casais de longa data. O swing é quando dois casais se encontram ocasionalmente para trocar de parceiros em busca de diversificar o sexo, não havendo trocas romântico-afetivas. Diferente do relacionamento aberto, a prática do swing nunca acontece separadamente e exige concordância prévia entre os parceiros. Ou seja, os amantes não podem se encontrar a sós com mais alguém. Quando isso acontece, considera-se traição e, conseqüentemente, gera discórdia entre o casal. Por conta disso, os swingers são considerados monogâmicos.

No poliamor, os parceiros não buscam por casais. Cada um pode ter quantas relações afetivas quiser independente do outro. Além disso, aqui sexo não é objetivo como acontece entre swingers, sim conseqüência.

Poligamia

Teve início com a desproporção numérica entre homens e mulheres ocasionada pelas guerras, o que favoreceu o patriarcado. Décadas mais tarde, tornou-se popular a associação entre o conceito de poligamia e poliginia, no entanto, a poligamia também pode ocorrer entre mulheres, recebendo o nome de poliandria. A poligamia é uma forma de casamento comumente associada à religião mulçumana e reconhecida pela legislação de mais de 50 países, onde a população segue os ensinamentos do Alcorão – livro sagrado dos mulçumanos – que permite ao homem ter até 4 esposas, com a condição de que dê atenção igual a cada uma delas.

Tanto a poliginia, quanto a poliandria remetem a uma prática unilateral, em que apenas um dos sexos tem o direito de nutrir mais de um parceiro. Já o poliamor, além de não ter associações religiosas, é sempre bilateral porque defende o direito à liberdade de ambos. Ou seja, todos os parceiros podem amar e se relacionar com mais de uma pessoa. Ocasionalmente, um homem ou uma mulher pode ter mais de uma relação, enquanto o outro tem apenas a ele ou ela. No entanto, se é conservada a liberdade mútua para seguir novas escolhas, a prática não deixa de se caracterizar como poliamor.

Além de tudo, o significado de poligamia está muito mais atrelado ao ato do casamento do que à afetividade entre seus participantes. Casar com várias mulheres ou vários homens não significa necessariamente nutrir sentimentos por todos eles. Afinal, casamento nunca foi sinônimo de amor. A poligamia pode acontecer, também, como mera fidelidade a determinados padrões culturais religiosos; mera formalidade. Por outro lado, o poliamor é motivado apenas pela afetividade múltipa e tem formato fluido, portanto é uma pratica livre de padrões e incentivos religiosos.

“Ficar”

“Começou nos anos 80 entre os adolescentes, e consiste em trocas de caricias que vão dos beijos e abraços até alguma coisa mais, geralmente sem chegar ao ato sexual. O ‘ficar’ dispensa qualquer tipo de conhecimento prévio e qualquer tipo de continuidade (…) é uma forma não compromissada de relacionamento afetivo, no qual não há pressuposto de fidelidade/exclusividade”, diz Regina Navarro em A Cama na Varanda.

O poliamor, assim como o “ficar”, não exige exclusividade. Porém, há uma diferença discrepante entre os dois: enquanto “ficantes” não sentem amor ou qualquer senso de compromisso um pelo outro, poliamores se desenvolvem emocionalmente da mesma forma que um namoro comum fechado – só que aberto. Tanto o poliamor quanto o mono crescem por meio de uma ligação sentimental profunda. Amor, compromisso, responsabilidade e sinceridade são algumas das características essenciais entre policasais e dispensáveis entre ficantes.

Outra grande diferença entre poliamar e “ficar” é que o “ficante” deixa seu parceiro livre por não amá-lo ainda, e o poliamorista da liberdade a seus amantes justamente por amá-los.

– Fernanda Fahel

O que é o Poliamor?

"O nosso amor agente inventa" (Cazuza)

“O nosso amor a gente inventa” (Cazuza)

A palavra poliamor refere-se à prática de relacionamentos estáveis múltiplos, simultâneos e consentidos por todas as partes envolvidas. Baseia-se no princípio de que é possível se apaixonar, amar e relacionar-se sexual e afetivamente com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, podendo ou não haver hierarquização entre os parceiros.

Os relacionamentos (afetivos e sexuais) podem ser independentes uns dos outros ou grupais, havendo uma espécie de rotatividade interna aberta ou fechada ao mundo “extra-policonjugal”. Ou seja, aqui não se faz costume a pratica da exclusividade amorosa ou corporal, o que, a princípio, pode-se interpretar como perda do sentimento de ciúmes. Mas, diferente do que muitos pensam, o poliamor não elimina a vaidade “conjugal”, apenas reformula sua lógica em um novo e mais saudável raciocínio, que desvaloriza o ego frágil como prova de amor verdadeiro – associação errônea e comumente atrelada às relações monogâmicas. (Entraremos em detalhes sobre o tópico ciúmes em postagens futuras)

A monogamia parte do principio de que um é especial para o outro na medida em que sua existência descarta a necessidade de outros parceiros. Frequentemente mantém-se uma relação com uma pessoa até que apareça alguém melhor. Em contrapartida, o poliamor enxerga cada relacionamento, não como único recurso, mas como uma escolha diária e independente – já que um amor não exclui a possibilidade do outro. Um sente-se especial por ter certeza de que é insubstituível. “Se as pessoas que amamos tiverem a liberdade de amar outras, ganha-se a autoconfiança e a segurança de saber que continuarão a estar conosco porque nos amam, e não porque nada mais lhes resta. Por outro lado, se um dia nos deixarem, será simplesmente porque já não nos amam, e não porque tiveram de optar.”, diz Miguel Viterbo e Daniel Cardoso, colaboradores do PolyPortugal, grupo de discussão e apoio aos interessados e praticantes do poliamor.

Um envolvimento poli pode acontecer de várias maneiras. Nem sempre, por exemplo, todos os parceiros relacionam-se entre si. Alguns – ou todos – podem estar apenas cientes da existência dos outros; podem até nunca tê-los visto. Além disso, a adesão à prática não significa que a pessoa sempre se relacionará com mais de um parceiro. Duas pessoas poli podem, por circunstância, se envolver nos moldes monogâmicos, porém mantendo a liberdade, para ambos, de afetuar-se por mais alguém e, assim, começar um segundo namoro. A depender do processo, o novo parceiro pode envolver-se apenas com um deles – enquanto o outro continua mono – ou aderir ao casal, formando um trio. Eventualmente e conforme as necessidades de cada um, mais rapazes e moças podem aparecer (para um ou ambos), aumentando o número de ligações afetivas e/ou sexuais concomitantes e consentidas.

O que não necessariamente significa “suruba”. Afinal, mesmo solteiro e teoricamente livre, ninguém se apaixona ou tem relações sexuais todos os dias, a qualquer momento, com/por qualquer pessoa. Você pode fazer isso se quiser, você é livre, o corpo é seu, mas poder não significar querer. Assim como querer, nem sempre significa fazer acontecer. O mesmo ocorre nas relações poliafetivas. A quantidade de parceiros românticos e/ou sexuais depende apenas das necessidades individuais de cada um.

Fernanda Fahel