WHY KNOT – Quebrando o silêncio na monogamia

O documentário WHY KNOT – Breaking the Silence on Monogamy (2014, CANADÁ) conta a história do filmográfo Dhruv Dhawan (diretor e produtor do filme) que tenta separar amor e sexo, ao mesmo tempo em que o apelo do casamento cresce cada vez mais. Para isso, ele acompanha vários matrimônios pródigos dentro de sua família.

Enquanto é pressionado a seguir formalidades, ele tenta achar respostas para algumas perguntas por meio de entrevistas com seus parentes e especialistas do assunto, além de se esforçar para mediar uma relação aberta com a mulher que ama.

Sua busca nos leva além do seu quarto, através da biologia do sexo, a história do patriarcado e a política da monogamia na qual sua namorada, cientistas, poliamoristas, seus amados e até vermes se tornam parte dessa narrativa auto-reflexiva.

WHYNOT é uma jornada intelectual e emocional por entre o quadro da monogamia, questionando o que significa ser humano e confrontar esse conflito entre nossos instintos e nossas morais. (Tradução e alterações nossas)

A produção, que ainda procura por suporte para seu lançamento oficial em 2014, conta com a participação dos renomados escritores Dr. Christopher Ryan, de “Sex at Dawn“; Dossie Easton, autora de “The Ethical Slut“; Dr. Stephanie Coontz, “Marriage, A History“; Dr. David Barash e Dr. Judith Lipton, autores de “The Myth of Monogamy” e “Strange Bedfellows”.

Fonte: http://www.indiegogo.com/

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Poliamor exige maturidade emocional, respeito e muita compreensão

Love

Acredito que ler sobre o poliamor e entender de verdade suas argumentações é sempre muito convincente. No entanto, achei importante rebater um “porém” – muito comum e digno – com o qual me deparei diversas vezes ao tentar explicar um relacionamento poliamoroso. Acontece que muita gente concorda com os ideais do Poliamor, mas afirma que na prática eles não funcionam, seja por conta dos ciúmes ou pela supostamente prejudicial divisão de atenção.

Decidi, então, ir direto ao ponto por meio de exemplos vivos e, em seguida, comentar a respeito. Trago aqui dois casais que optaram pelo formato poliafetivo. Um deles participa do Documentário “Poliamor entre os jovens de Salvador”, de minha autoria e ainda para ser lançado. O outro casal preferiu não se expor, portanto, receberam codinomes.

Gabriel, de 23 anos, namora Roberta, de 22. Após 1 ano de relacionamento e várias discussões sobre liberdade, o casal decidiu pesquisar sobre as possibilidades no amor, atitude que, após mais um ano de união, revolucionou a vida amorosa dos dois. “A gente leu, viu filmes, conhecemos pessoas (…) e percebemos que não estávamos vivendo conforme nossas crenças. Mais tarde, encontramos o momento perfeito para nos darmos a chance. Roberta estava prestes a viajar e decidimos fazer um teste. Durante esse período, estaríamos livres para nos envolver com outras pessoas. Por sorte, ambos tivemos a chance de conhecer pessoas legais. No início, eu me senti estranho e ela também. Mas, quando Roberta voltou, compartilhamos nossas experiências e percebemos que não havia nada demais. Tudo estava do mesmo jeito. Foi o começo de uma nova fase – ainda em processo de evolução.”

Gabriel afirma que a regra principal da relação é “omita, mas não minta”. O acordo entre eles tem como pressuposto que, em respeito à própria individualidade, nenhum dos dois é obrigado a contar tudo. Quando não querem responder alguma pergunta, eles dizem em tom de brincadeira: “não é da sua conta”.

Os acordos entre poli-casais, assim como o formato das poli-relações, são diversos e passíveis de grandes metamorfoses, que acontecem conforme a fluidez das necessidades de cada um. Roberta, por exemplo, ainda não se sente à vontade para saber sobre as outras companheiras de Gabriel e, por isso, pediu para que o amado não lhe falasse a respeito. Contudo, a situação parece estar prestes a mudar. “Outro dia, ela me pediu conselho sobre um rapaz com quem estava ficando. Fiquei surpreso; ela nunca tinha feito isso antes.” A nova atitude de Roberta deixa claro que ela está em processo de mudança e que, talvez, em um futuro próximo, esteja pronta para ouvir as experiências de Gabriel também.

Fica claro, aqui, que aderir ao poliamor não significa desfazer-se imediatamente de antigos costumes. Mesmo o sentimento de culpa, ao relacionar-se com outros, pode levar um tempo antes de desaparecer por completo – dividir a si mesmo pode ser tão difícil quanto dividir o amado. “Quando decidi ficar com a outra garota, tive medo de não me sentir à vontade e, também, de machucar Roberta, mesmo aquilo fazendo parte do novo trato”, diz Gabriel, sobre o período em que a namorada viajou e os dois concordaram em experimentar uma relação mais livre. Ao recebê-la de volta, ele soube que os mesmos medos a atormentaram no início. Hoje, com quatro anos de namoro, os dois ainda já estão mais adaptados e continuam progredindo.

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Caio Costa e Daniela Brangato

Caio, 25 anos, namora há três anos com Danniela, de 20. O casal afirma que apenas o rapaz estava pronto para o formato, mas a moça entendeu e concordou com o ideal de liberdade apresentado. O namorado, então, lançou uma proposta. Primeiramente, apenas Danniela teria direito a se relacionar com outras pessoas, à escolha e gosto única e exclusivamente dela. E Caio permaneceria monogâmico até que ela se sentisse à vontade para deixá-lo livre também. Tempos mais tarde, enquanto eu os entrevistava, ela admitiu: “Estou ansiosa para que ele fique com outra pessoa. Quero saber como vou me sentir”.

Danniela diz que sente muito ciúme, mas tem trabalhado a mente para superar seus medos. “Com o passar do tempo, eu fui entendendo melhor essa filosofia e estou me adaptando”.

Creio eu que Danniela chegou a uma conclusão básica, porém difícil de absorver: o ciúme começa em você e termina em você. Portanto, não é fechando a relação que alguém vai livar-se do medo de abandono. Além disso, o ciúme pode existir em QUAQUER tipo de relação, seja ela amorosa, fraternal ou entre amigos. Vai dizer que você nunca ficou com invejinha do seu primo que estava recebendo atenção demais da sua mãe? Ou da sua melhor amiga que anda saindo demais com as outras amigas e nunca mais teve tempo para você? É normal, comum e aceitável (e vai que é saudável também) sentir um pouco de carência afetiva e, conseqüentemente, essa sensação de abandono. O que eu, particularmente, não acho aceitável (e nada saudável) é deixar que a carência tome conta de você e guie sua vida, suas atitudes para com o próximo, seja ele quem for.

Então, na prática, o poliamor pode funcionar sim! Só depende da sua maturidade emocional. Da sua atitude e intimidade intelectual para com seu parceiro, o qual também necessita ser maduro emocionalmente. Afinal, não adianta ser um tenista de primeira; se o jogador do outro lado da rede for ruim, muitas bolas irão cair fora. Todo campo tem sua linha de borda, inclusive o campo do poliamor, que não é nenhum “vale tudo” como muita gente acha. Pelo contrário! O poliamor funciona bem justamente quando há compreensão e respeito pelas necessidades do(s) amado(s), como vimos nos exemplos acima. Fato que me lembra o constante mal-entendido com o termo “anarquia”, que de forma alguma significa bagunça e sim consciência dos limites. Limites estes, que felizmente estão muito além das fronteiras do moralismo social.

É importante notar que, para tudo, há limites. Até limites precisam ter limite. E eu sei que é difícil definir liberdade, talvez por isso seja também difícil vivê-la, mas exige muito pouco entender que ela nada tem a ver com libertinagem. A primeira segue as próprias vontades sem deixar de respeitar o espaço do próximo, é o caso do poliamor; a segunda tende a invadir o alheio, não é o caso do poliamor, mas sim de determinadas instituições punitivas sociais.

Sim, é muita libertinagem institucional querer invadir e desqualificar qualquer tipo de desejo e escolha pessoal que não retire o direito de desejo e escolha do próximo.

É basicamente isso que a monogamia faz como instituição. Ela nega a possibilidade dos amantes desejarem uma segunda pessoa sem que isso desqualifique minimamente a relação primeira. E quase todos acreditam tão fielmente nessa “regra do amor” que preferem esconder desejos, sentimentos e concretizações à parte da relação oficializada e socialmente. Da mesma forma, as mulheres do passado não podiam divulgar ou sentir-se em paz ao terem relações sexuais antes do casamento, pois era considerado um absurdo, uma afronta aos valores morais da sociedade.

Não estou dizendo com isso que devamos nos desfazer de todo e qualquer valor moral. Simplesmente acho importante notar que certos valores criados (sim, criados! Afinal, todo valor é, de fato, criado, independente do que seus pais ou sua religião te dizem; instituição = criação) têm maior funcionalidade que outros. E tanto transar antes do casamento quanto se relacionar com mais de uma pessoa por vez definitivamente não atrapalham a sociedade de seguir em frente. Mais uma vez, pelo contrário! Quanto menos repressões desnecessárias e improdutivas, mais saúde mental, mais pessoas bem resolvidas e em paz consigo mesmas. Ninguém precisa esperar até o casamento para ter relações sexuais, assim como ninguém deveria se sentir obrigado a ter apenas um parceiro amoroso por vez, muito menos a ter que mentir para “burlar” isso. Afinal, guardar amor e desejo nunca fez bem a ninguém.

O poliamor chega justamente com a admissão consensual dessa liberdade de escolha. Estar com uma, nenhuma, duas, três ou mil pessoas é decisão única e exclusivamente sua, da sua vontade, do seu desejo. Na prática, tudo pode funcionar quando a gente quer e se esforça para isso. Inclusive o poliamor.

-Fernanda Fahel

Regina Navarro fala sobre poliamor, casamento e ciúme em entrevista exclusiva ao Mundo Poli-Amoroso

A psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins cedeu entrevista exclusiva ao nosso blog! A consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da Rede Globo, se disponibilizou a bater um papo com o Mundo Poli-Amoroso em torno de 4 tópicos divididos em uma playlist para que o ouvinte possa ir direto à informação desejada. Os tópicos estão dispostos na seguinte ordem:

1. Poliamor e Monogamia;
2. Homem x Mulher – Casamento, Expectativas e Traição;
3. Ciúme;
4. O Poliamor na Sociedade – Preconceitos e Normatização.

Vale ressaltar que Navarro é autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual. Entre eles, “A Cama na Varanda”, sucesso desde os anos 90, e “O Livro do Amor” I e II, resultado de 5 anos de pesquisa e lançados recentemente.

Confira a entrevista abaixo!

Mais 3 dicas de filmes que retratam o poliamor

Castillos de Carton (Espanha, 2009)


de Salvador García Ruiz
Conta a história de amor entre três estudantes de belas artes. Jaime e Marcos se apaixonam por María José e decidem compartilhar uma relação afetivo-sexual com a moça, em vez de disputá-la. María também gosta de ambos os rapazes e aceitar viver o namoro a três. Apesar de tratar mais sobre o lado afetivo, o filme tem bastante conteúdo sexual.

Sexo dos Anjos (Espanha, Brasil, 2012)


de Xavier Villaverde
Bruno e Carla estão em relacionamento monogâmico há anos. Um dia, porém, o rapaz conhe Rai durante uma apresentação de street dance a acaba se apaixonando. No início, Carla sente-se traída, mas ao deixar-se conhecer melhor o novo interesse de Bruno, ela acaba se apaixonando por ele também.

Demasiada Carne (França, 2000)


de Pascal Arnold e Jean-Marc Barr
No Illinois dos nossos dias, um homem de 35 anos cujo casamento, arranjado por questões de conveniência, nunca foi consumado, descobre a sexualidade com uma estrangeira de passagem. A liberdade do casal contagia os outros e semeia a desordem numa comunidade rural marcada pela hipocrisia e pelo puritanismo excessivo. (Texto retirado do página Cinema Sapo)

Conheça 4 filmes que retratam o poliamor

Toda semana, o Mundo Poliamoros trará para vocês dicas de filmes que tratem sobre a poliafetividade. Confira agora as 4 primeiras indicações!

PRAZER A TRÊS (EUA, 2006)

de William Tyler Smith
Filme de conteúdo um tanto erótico. Retrata os limites de uma relação amorosa. Um casal se vê entediado e resolve engatar novas experiências. Dispostos a viver uma relação a três, eles conhecem uma espanhola e acabam agregando ela ao casamento. Gradativamente, eles vão descobrindo os prazeres e as dificuldades de uma relação múltipla e passam a enxergar a situação de maneira completamente diferente da que antes enxergavam. A relação vai se transformando até que passa por uma crise, com a qual os três precisam aprender a lidar da melhor maneira possível.

DIETA MEDITERRÂNEA (ESPANHA, 2008)

de Joaquin Oristrell
Desde que nasceu, Sofia (Olivia Molina) viveu rodeada de homens, em meio aos fogões do restaurante de seus pais. Já adulta, ela se torna chef do estabelecimento e casa-se com Toni (Paco León), com quem tem três filhos. Mesmo amando muito seu marido, Sofia se apaixona por Frank (Alfonso Bassave), o agente que todo artista gostaria de ter, e, com ele, aprende os segredos da gastronomia. Logo ela abre o jogo para o marido e os três firmam um acordo amoroso e profissional que revoluciona a vida culinária e pessoal de Sofia.

OS TRÊS (BRASIL, 2011)

Cazé (Victor Mendes), Camila (Juliana Schalch) e Rafael (Gabriel Godoy) se conheceram na porta do banheiro em uma festa. Os três chegaram há pouco tempo na cidade e apenas Cazé encontrou um lugar para morar: um galpão abandonado. Logo eles se tornam amigos e passam a morar juntos, durante todo o período da faculdade. Entretanto, há uma regra básica: não pode haver qualquer envolvimento entre eles, em nome da boa convivência. Cazé, Camila e Rafael andam tão juntos que logo são apelidados pelos colegas como se fosse um só, os 3. Já perto do fim do curso, Rafael pensa em se mudar por notar que sente algo por Camila. Até que surge uma inusitada proposta: que eles estrelem um reality show em sua própria casa, baseado em um trabalho que apresentaram na faculdade. Percebendo ser esta a única chance de permanecerem juntos, eles topam. (Texto extraído do site Adoro Cinema)

VICKY CRISTINA BARCELONA (EUA, 2008)

De Woody Allen
As irmãs americanas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são completamente opostas. Vicky é centrada e tenta ao máximo seguir os padrões culturais que lhes foram ensinados sobre amor e trabalho. Já Cristina é aventureira, está sempre mudando o rumo de sua vida, especialmente quando o assunto é amor. As duas fazem uma viagem de três meses à Barcelona, na Espanha, onde conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), ex-marido da pintora Maria Elena (Penelope Cruz), uma mulher que levas as emoções ao extremo. Ao abordar as irmãs e se apresentar, Juan Antonia convida as duas para passar um final de semana em Oviedo, deixando claro suas intenções, que, mais tarde irão gerar uma relação bem diferente das usuais.

As coisas que chamamos de amor – Friedrich Nietzsche

Vale a pena ler com bastante atenção o aforismo abaixo, retirado da obra “A Gaia Ciência”, de Nietzsche. O filósofo questiona o significado de amor, relacionando-o com o conceito de ego ao ponto de interpreta-los como uma coisa só nomeada de formas diferentes. Ele explica o desejo de posse nos relacionamentos afetivos e deixa claro que considera a monogamia um formato muito egoísta. Ao final do aforismo, Nietz expõe o que é o amor ideal para ele. Confiram!

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Imagem: Dan Hillier

“Cobiça e amor: que sentimentos diversos evocam essas duas palavras em nós! – e poderia, no entanto, ser o mesmo impulso que recebe dois nomes; uma vez difamado do ponto de vista dos que já possuem, nos quais ele alcançou alguma calma e que temem por sua ‘posse’; a outra vez do ponto de vista dos insatisfeitos, sedentos, e por isso glorificado como ‘bom’.

Nosso amor ao próximo – não é ele uma ânsia por nova propriedade? E igualmente o nosso amor ao saber, à verdade, e toda ânsia por novidades?

Pouco a pouco nos enfadamos do que é velho, do que possuímos seguramente, e voltamos a estender os braços; ainda a mais bela paisagem não estará certa do nosso amor, após passarmos três meses nela, e algum litoral longínquo despertará nossa cobiça: em geral, as posses são diminuídas pela posse. Nosso prazer conosco procura se manter transformando algo novo em nós mesmos – precisamente a isto chamamos possuir.

Enfadar-se de uma posse é enfadar-se de si mesmo.

(Pode-se também sofrer da demasia – também o desejo de jogar fora, de distribuir; pode ter o honrado nome de “amor”.)

Quando vemos alguém sofrer, aproveitamos com gosto a oportunidade que nos é oferecida para tomar posse desse alguém; é o que faz o homem benfazejo e compassivo, que também chama de “amor” ao desejo de uma nova posse que nele é avivado, e que nela tem prazer semelhante ao de uma nova conquista iminente.

Mas é o amor sexual que se revela mais claramente como ânsia de propriedade: o amante quer a posse incondicional tanto sobre sua alma como sobre seu corpo, quer ser amado unicamente, habitando e dominando a outra alma como algo supremo e absolutamente desejável.

Se considerarmos que isso não é outra coisa senão excluir todo o mundo de um precioso bem, de uma felicidade e fruição; se considerarmos que o amante visa o empobrecimento e privação de todos os demais competidores e quer tornar-se o dragão de seu tesouro, sendo o mais implacável e egoísta dos ‘conquistadores’ e exploradores; se considerarmos, por fim, que para o amante todo o resto do mundo parece indiferente, pálido, sem valor; e que ele se acha disposto a fazer qualquer sacrifício, a transtornar qualquer ordem, a relegar qualquer interesse: então nos admiraremos de que esta selvagem cobiça e injustiça do amor sexual tenha sido glorificada e divinizada a tal ponto, em todas as épocas, que desse amor foi extraída a noção de amor como o oposto do egoísmo, quando é talvez a mais direta expressão do egoísmo.

Nisso, evidentemente, o uso lingüístico foi determinado pelos que não possuíam e desejavam – os quais sempre foram em maior número, provavelmente. Aqueles que nesse campo tiveram posses e satisfação bastante deixaram escapar, aqui e ali, uma palavra sobre o ‘demônio furioso’, como fez o mais adorável e benquisto dos atenienses, Sófocles: mas Eros sempre riu desses blasfemos – eram, invariavelmente, os seus grandes favoritos.

– Bem que existe no mundo, aqui e ali, uma espécie de continuação do amor, na qual a cobiçosa ânsia que duas pessoas têm uma pela outra deu lugar a um novo desejo e cobiça, a uma elevada sede conjunta de um ideal acima delas: Mas quem conhece tal amor? Quem o experimentou? Seu verdadeiro nome é amizade.”

F. Nietzsche, em A Gaia Ciência.

A autora

Fernanda Fahel

Fernanda Fahel, autora do blog

Sempre achei que tinha algo de errado com o formato padrão dos relacionamentos. Nunca consegui entender o motivo de tanta competição, tantas brigas e sofrimento amorosos. Afinal, se posso ter vários amigos, por que não vários amores e parceiros sexuais? Seria tão errado assim? Tão pecador querer dividir prazeres e emoções de forma mais livre? Com 15 anos perguntei às minhas amigas porque elas não se relacionavam mais abertamente e disse que ciúme não fazia o menor sentido. Elas, é claro, acharam minha idéia ridícula. Eu, por ser tão nova, achei que talvez estivesse mesmo errada e deixei meu questionamento de lado. Mais tarde, aos 20 anos, entrei em contato com um tal de Amor Livre. Descobri que havia livros, pesquisas, artigos e muitos grupos na internet que argumentam a favor das diferentes formas de amar. Minhas antigas idéias foram revitalizadas. Passei a entender que não se trata apenas de bom senso, mas de liberdade! Saúde emocional! Auto análise e revolução! Trata-se de entender que nenhuma verdade é suprema; tudo tem causa, portanto é preciso um estudo profundo das origens de nossos atos, em vez da aceitação estática dos resultados. Só assim, chegando até a raiz, cada indivíduo será capaz de recriar seus ideais conforme aquilo que lhe parecer mais apropriado ao momento. Afinal, a vida é feita de instancias. Nada permanece, senão o fluxo.

Por que, então, bloquear a maior lei da existência, a fluidez? Por que extraí-la da nossa maior motivação, o amor? Não faz sentido acorrentar a espontaneidade natural dos nossos sentimentos. Simplesmente não é saudável, além de que, dizem as pesquisas de campo, tem dado muito errado. Não há fórmulas prontas para o amor, não há leis regulamentadoras. É uma tremenda auto-injustiça deixar que o nosso passado histórico repressor reflita no julgamento comportamental que, hoje, fazemos de nós mesmos. Sejamos os criadores de nossas próprias vidas. Não há “jeito certo” de amar. Há o melhor jeito para você e para mim, no meu e no seu melhor momento. Repito, a vida é feita de fluxos! Portanto nenhuma verdade é suprema. Contanto que não empatemos o caminho de ninguém, somos livres para inventar os nossos próprios caminhos e mudá-los quando necessário.

Portanto, se um amor não empata o outro, não há razões para batalhar. E foi com vista nisso que criei este blog. Espero que aproveitem o conteúdo que aqui postarei. Meu intuito é mostrar que amar está acima de quaisquer normatividades ou restrições, que não as nossas próprias para com nós mesmos.

-Fernanda Fahel