Conheça 4 filmes que retratam o poliamor

Toda semana, o Mundo Poliamoros trará para vocês dicas de filmes que tratem sobre a poliafetividade. Confira agora as 4 primeiras indicações!

PRAZER A TRÊS (EUA, 2006)

de William Tyler Smith
Filme de conteúdo um tanto erótico. Retrata os limites de uma relação amorosa. Um casal se vê entediado e resolve engatar novas experiências. Dispostos a viver uma relação a três, eles conhecem uma espanhola e acabam agregando ela ao casamento. Gradativamente, eles vão descobrindo os prazeres e as dificuldades de uma relação múltipla e passam a enxergar a situação de maneira completamente diferente da que antes enxergavam. A relação vai se transformando até que passa por uma crise, com a qual os três precisam aprender a lidar da melhor maneira possível.

DIETA MEDITERRÂNEA (ESPANHA, 2008)

de Joaquin Oristrell
Desde que nasceu, Sofia (Olivia Molina) viveu rodeada de homens, em meio aos fogões do restaurante de seus pais. Já adulta, ela se torna chef do estabelecimento e casa-se com Toni (Paco León), com quem tem três filhos. Mesmo amando muito seu marido, Sofia se apaixona por Frank (Alfonso Bassave), o agente que todo artista gostaria de ter, e, com ele, aprende os segredos da gastronomia. Logo ela abre o jogo para o marido e os três firmam um acordo amoroso e profissional que revoluciona a vida culinária e pessoal de Sofia.

OS TRÊS (BRASIL, 2011)

Cazé (Victor Mendes), Camila (Juliana Schalch) e Rafael (Gabriel Godoy) se conheceram na porta do banheiro em uma festa. Os três chegaram há pouco tempo na cidade e apenas Cazé encontrou um lugar para morar: um galpão abandonado. Logo eles se tornam amigos e passam a morar juntos, durante todo o período da faculdade. Entretanto, há uma regra básica: não pode haver qualquer envolvimento entre eles, em nome da boa convivência. Cazé, Camila e Rafael andam tão juntos que logo são apelidados pelos colegas como se fosse um só, os 3. Já perto do fim do curso, Rafael pensa em se mudar por notar que sente algo por Camila. Até que surge uma inusitada proposta: que eles estrelem um reality show em sua própria casa, baseado em um trabalho que apresentaram na faculdade. Percebendo ser esta a única chance de permanecerem juntos, eles topam. (Texto extraído do site Adoro Cinema)

VICKY CRISTINA BARCELONA (EUA, 2008)

De Woody Allen
As irmãs americanas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são completamente opostas. Vicky é centrada e tenta ao máximo seguir os padrões culturais que lhes foram ensinados sobre amor e trabalho. Já Cristina é aventureira, está sempre mudando o rumo de sua vida, especialmente quando o assunto é amor. As duas fazem uma viagem de três meses à Barcelona, na Espanha, onde conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), ex-marido da pintora Maria Elena (Penelope Cruz), uma mulher que levas as emoções ao extremo. Ao abordar as irmãs e se apresentar, Juan Antonia convida as duas para passar um final de semana em Oviedo, deixando claro suas intenções, que, mais tarde irão gerar uma relação bem diferente das usuais.

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“No que os poliamoristas em geral acreditam?”

A psicanalista e escritora Regina Navarro lista os valores que inspiram a prática do poliamor. O material foi tirado do livro A Cama na Varanda – edição ampliada.

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  • Os poliamoristas dizem que sua filosofia nada mais é do que aceitação direta e a celebração da realidade da natureza humana.
  • Os poliamoristas dizem que o sexo não é o inimigo, que o real inimigo é a quebra e a traição de confiança resultante da tentativa de reprimir nosso ser natural em um sistema social rígido e antinatural.
  • Os poliamoristas dizem que o sexo é uma força positiva se aplicada com honestidade, responsabilidade e verdade.
  • Os poliamoristas não têm de atender a todas as necessidades de cada parceiro; eles devem ajudar. Se sua esposa ama ópera e você não gosta, talvez algum de seus amantes apreciará levá-la à ópera. Se ele for também um mago da informática e ajudar a consertar seu computador quando ele não funciona direito, você é uma pessoa de sorte.
  • Os poliamoristas dizem que o amor é um recurso infinito, e não finito. Ninguém duvida de que você possa amar mais de um filho. Isso também se aplica aos amigos – quando você encontra um novo amigo, não precisa se preocupar com quem terá de descartar para colocá-lo no lugar.
  • Os poliamoristas dizem que o ciúme não é inato, inevitável e impossível de superar. Mas eles lidam com o ciúme usualmente de forma bem-sucedida. Há um novo termo para o oposto do ciúme: “compersion” (sem tradução para o português ainda, talvez possa ser traduzido como algo perto de “comprazer”). “Compersion” é o sentimento de contentamento que advém do conhecimento de que uma pessoa que você ama é amada por mais alguém.
  • Os poliamoristas dizem que o amor deve ser incondicional, no lugar da proposição monogâmica de que “Eu irei amar você sob a condição de que você não amará mais ninguém”, “Desista de todos os outros”, como usualmente é colocado. E, conforme demonstrado pela história, o casamento monogâmico não dá nenhuma garantia de que uma pessoa não amará mais ninguém ao longo da vida.
  • Os poliamoristas acreditam em um investimento emocional de longo prazo em relacionamentos; assim como esse objetivo nem sempre é alcançado no poliamor, ele também nem sempre é alcançado na monogamia.
  • Os poliamoristas acreditam que eles representam os verdadeiros “valores familiares”. Eles têm a coragem de viver um estilo de vida alternativo que, embora condenado pela sociedade, é satisfatório e recompensador para eles. Crianças que têm muitos pais e mães têm mais chances de serem bem cuidadas e menos riscos de se sentirem abandonadas se alguém deixa a família.

O Seu Amor – Os Doces Bárbaros (Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil & Maria Bethânia)

O seu amor
Ame-o e deixe-o livre para amar
Livre para amar
Livre para amar

O seu amor
Ame-o e deixe-o ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser

O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz

O seu amor
Ame-o e deixe-o ser o que ele é
Ser o que ele é

Poliamor X Relacionamento Aberto X Amor Livre X Swing X Poligamia X “Ficar”

"Consideramos justa toda forma de amor" - Lulu Santos

“Consideramos justa toda forma de amor” – Lulu Santos

Frequentemente confunde-se poliamor com amor livre, relacionamento aberto, swing, poligamia e “ficada”. Cinco práticas diferentes, porém vistas por muitos como parte do mesmo conceito. Segue a descrição de cada um desses termos e as suas principais diferenças em relação ao poliamor.

É importante ressaltar que as definições abaixo servem apenas como pequena parte da base inicial para o entendimento das relações afetivas, que, é claro, nem sempre se encaixam perfeitamente em apenas uma categoria.

Amor Livre

Surgiu como uma forma de embate à legislação das uniões amorosas. Seus seguidores acreditam que a igreja e o Estado não têm o direito de definir o que deve ou não ser considerado um relacionamento amoroso. Eles são contra o casamento, pois o vêem como forma de controle e submissão. O Amor Livre defende e pratica todo tipo de relação amorosa – inclusive a monogâmica – não atrelada a quaisquer registros formais. Ou seja, pessoas que se relacionam sem intitular-se “namorados” ou “casados”.

Dentre todos os estilos, o relacionamento livre é o que mais se aproxima do relacionamento poli, já que ambos dão grande flexibilidade afetiva e sexual à formatação das relações. No entanto, o poliamor não se preocupa tanto com o distanciamento de rótulos, que é uma característica fundamental do amor livre. Portanto, são movimentos distintos.

Relacionamento Aberto

Acreditam que desejos sexuais por outras pessoas procedem mesmo durante um relacionamento fixo e que reprimi-los pode gerar estresse entre o casal. Defendem a monogamia afetiva em parceria com a liberdade sexual. Portanto, relações extraconjugais não são consideradas como infidelidade, contato que não haja envolvimento amoroso; este deve existir apenas entre o casal. “Liberamos o desejo, não o sentimento”, diz um adepto. É importante ressaltar que o relacionamento aberto costuma funcionar melhor quando há regras bem definidas e consentidas por ambos para evitar desentendimentos.

Em contrapartida, poliamoristas são a favor da liberdade amorosa, além da sexual. Cada parceiro poliamoroso pode nutrir quantos namoros e/ou casamentos ele quiser – independentes ou conjuntos.

Swing

Refere-se à troca sexual de parceiros entre dois casais. Seus praticantes geralmente buscam se livrar da monotonia que tanto atormenta a maioria dos casais de longa data. O swing é quando dois casais se encontram ocasionalmente para trocar de parceiros em busca de diversificar o sexo, não havendo trocas romântico-afetivas. Diferente do relacionamento aberto, a prática do swing nunca acontece separadamente e exige concordância prévia entre os parceiros. Ou seja, os amantes não podem se encontrar a sós com mais alguém. Quando isso acontece, considera-se traição e, conseqüentemente, gera discórdia entre o casal. Por conta disso, os swingers são considerados monogâmicos.

No poliamor, os parceiros não buscam por casais. Cada um pode ter quantas relações afetivas quiser independente do outro. Além disso, aqui sexo não é objetivo como acontece entre swingers, sim conseqüência.

Poligamia

Teve início com a desproporção numérica entre homens e mulheres ocasionada pelas guerras, o que favoreceu o patriarcado. Décadas mais tarde, tornou-se popular a associação entre o conceito de poligamia e poliginia, no entanto, a poligamia também pode ocorrer entre mulheres, recebendo o nome de poliandria. A poligamia é uma forma de casamento comumente associada à religião mulçumana e reconhecida pela legislação de mais de 50 países, onde a população segue os ensinamentos do Alcorão – livro sagrado dos mulçumanos – que permite ao homem ter até 4 esposas, com a condição de que dê atenção igual a cada uma delas.

Tanto a poliginia, quanto a poliandria remetem a uma prática unilateral, em que apenas um dos sexos tem o direito de nutrir mais de um parceiro. Já o poliamor, além de não ter associações religiosas, é sempre bilateral porque defende o direito à liberdade de ambos. Ou seja, todos os parceiros podem amar e se relacionar com mais de uma pessoa. Ocasionalmente, um homem ou uma mulher pode ter mais de uma relação, enquanto o outro tem apenas a ele ou ela. No entanto, se é conservada a liberdade mútua para seguir novas escolhas, a prática não deixa de se caracterizar como poliamor.

Além de tudo, o significado de poligamia está muito mais atrelado ao ato do casamento do que à afetividade entre seus participantes. Casar com várias mulheres ou vários homens não significa necessariamente nutrir sentimentos por todos eles. Afinal, casamento nunca foi sinônimo de amor. A poligamia pode acontecer, também, como mera fidelidade a determinados padrões culturais religiosos; mera formalidade. Por outro lado, o poliamor é motivado apenas pela afetividade múltipa e tem formato fluido, portanto é uma pratica livre de padrões e incentivos religiosos.

“Ficar”

“Começou nos anos 80 entre os adolescentes, e consiste em trocas de caricias que vão dos beijos e abraços até alguma coisa mais, geralmente sem chegar ao ato sexual. O ‘ficar’ dispensa qualquer tipo de conhecimento prévio e qualquer tipo de continuidade (…) é uma forma não compromissada de relacionamento afetivo, no qual não há pressuposto de fidelidade/exclusividade”, diz Regina Navarro em A Cama na Varanda.

O poliamor, assim como o “ficar”, não exige exclusividade. Porém, há uma diferença discrepante entre os dois: enquanto “ficantes” não sentem amor ou qualquer senso de compromisso um pelo outro, poliamores se desenvolvem emocionalmente da mesma forma que um namoro comum fechado – só que aberto. Tanto o poliamor quanto o mono crescem por meio de uma ligação sentimental profunda. Amor, compromisso, responsabilidade e sinceridade são algumas das características essenciais entre policasais e dispensáveis entre ficantes.

Outra grande diferença entre poliamar e “ficar” é que o “ficante” deixa seu parceiro livre por não amá-lo ainda, e o poliamorista da liberdade a seus amantes justamente por amá-los.

– Fernanda Fahel